O EVENTO

O X Simpósio de Pesquisa Estado e Poder fascismo e
antifascismo 
tem como objetivo geral viabilizar a apresentação e
discussão das pesquisas relacionadas aos processos de constituição de
movimentos fascistas, a formação de governos e os processos de fascistização
que conduzem a regimes fascistas em distintos contextos históricos, bem como as
lutas e resistências constituídas contra os fascismos, relacionando-se à vasta
problemática que envolve as relações de poder e a configuração do Estado, em
sua dimensão ampliada, seja através do debate teórico, seja através da análise
de experiências históricas. Trata-se de temática de grande relevância e
inegável atualidade, em um momento marcado pelo avanço de movimentos e
organizações neofascistas e constituição de governos com nítidas
características fascistizantes em distintos países, incluindo o Brasil.

O acirramento da crise econômica e as respostas austeritárias e que
agravam as desigualdades e carências produzem e ampliam inevitavelmente
descontentamentos e revoltas populares. Neste sentido, a abordagem sobre o
avanço do fascismo não pode ser dissociada da avaliação do impacto das
políticas neoliberais e do esvaziamento da democracia que reforçam um
sentimento “antipolítica”. Por esta razão, o temário do evento não poderia
deixar de abordar o debate sobre as políticas austeritárias e o ataque aos
direitos sociais, com destaque para o campo da educação.

Em que medida a extrema-direita que está à frente de governos como os da
Argentina, Estados Unidos, Itália, Hungria, Turquia e Índia pode ser
caracterizada como fascista? E em que medida seu crescimento implica em um
movimento mais amplo de fascistização social? O debate sobre a caracterização
do fascismo e sobre as condições e limites para utilização do termo abarca
compreensões muito diversas, desde aqueles que restringem o uso do conceito de
fascismo ao contexto histórico de sua emergência até interpretações muito mais
abrangentes nos critérios de conceituação. Nesse sentido, a releitura das
experiências do fascismo histórico é fundamental para percepção dos elementos
de continuidade e das modificações.

A conformação de um estado fascista não é um fenômeno repentino, mas um
processo progressivo, como a própria experiência italiana demonstra. Desde a
formação do primeiro Fascio di Combatimento, constituído em de Milão em 1919
até a consolidação de um regime ditatorial completamente fascistizado, em 1926,
ocorreu um progresso sistemático de ataque às organizações de esquerda e de
restrição das liberdades democráticas, inclusive antes da conformação de um
governo liderado pelos fascistas. Já em 1920 deu-se o aumento das ações
violentas das milícias fascistas, o que se ampliou exponencialmente no biênio
seguinte, com centenas de agressões cometidas pelas milícias fascistas:
assassinato de dirigentes e militantes comunistas, socialistas e anarquistas,
bem como de dirigentes sindicais e camponeses, incêndio de sedes comunistas e
operárias, bem como de jornais vinculados ao movimento dos trabalhadores. Mesmo
a demonstração de força dos fascistas, com a Marcha sobre Roma, com a
consequente formação de um governo fascista liderado por Benito Mussolini, este
processo não se encerrou, pois foram necessários quatro anos de um processo de
fascistização conduzido a partir do próprio governo, com avanços e recuos e a
sistemática busca pela fragilização das instituições para que tenham se
efetivado as condições para a consolidação de uma ditadura fascista. É
importante tem em vista este caráter processual do processo de fascistização
para avaliar e dimensionar os processos atualmente em curso e seus diferentes
elementos – conformação e fortalecimento de organizações e partidos de caráter
fascista, crescimento eleitoral, propagação ideológica do ideário fascista,
conformação de governos fascistizantes e reconfiguração institucional dos
regimes.

Os movimentos fascistas contemporâneos são bastante distintos entre si e
se ajustam à características históricas, políticas, sociais, culturais,
religiosas e geopolíticas dos países nos quais atuam. Existem governos
conduzidos por líderes e ou partidos fascistas vinculados ao catolicismo
(Viktor Orbán / Fidesz, Hungria), hinduismo (Narendra Modi / Partido do Povo
Indiano, Índia), judaísmo (Benjamin Netanyahu / Likud, Israel), islamismo
(Recep Edrogan / Partido da Justiça e Desenvolvimento, Turquia) e budismo (Min
Aung Hlaing / sem partido, Myamar), além de outros nos quais a identificação
religiosa não é elemento central, como é o caso de Javier Milei (Liberdade
Avança, Argentina).

A eleição e posse de Donald Trump constitui um inegável impulso aos
movimentos e partidos fascistas. Pode-se discutir em que medida o trumpismo
constitui um fascismo, na medida em que ele não se propõe a mobilizar
ativamente sua base social e expressa de forma direta e explícita os interesses
do grande capital. Ainda assim, suas ações desde o início do governo visam
criar condições mais propícias ao avanço dos movimentos fascistas, a começar
pelo esforço por impedir qualquer tipo de regulação ou limitação à circulação
de discursos de ódio nas redes sociais.

Nenhum fascismo obtém êxito se não
constitui um discurso adequado às peculiaridades dos locais onde atuam, e isto,
uma vez mais, implica em expressivas diferenças. Em países marcados pelo
conservadorismo social e moral e por uma forte religiosidade, como é o caso da
maior parte da América Latina, dos Estados Unidos e de países do Leste Europeu,
o apego a valores tradicionais e fundamentalistas religiosos, o pânico moral e
o ataque à chamada “ideologia de gênero, o antifeminismo, a homofobia e a
transfobia são elementos centrais do discurso e da ideologia dos fascismos
nacionais. Estes elementos estão ausentes ou são muito menos presentes nos
discursos e na ideologia dos partidos fascistas nórdicos e em países como
Alemanha, Holanda e Bélgica, nos quais os principais inimigos sociais constituídos
pelo fascismo são os imigrantes e o recurso ao pânico moral teria um impacto
muito menor. Enfim, são inúmeras as questões que surgem da abordagem sobre o
fascismo ontem e hoje, e sobre as resistências sociais empreendidas contra seu
avanço.

 

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Enviar o comprovante para o e-mail 10spep2025@
gmail.com (no caso de inscrição de comunicações, enviar junto o arquivo com o
resumo). Em caso de necessidades especiais, informar no e-mail.


Programação do evento



Conferência de Abertura:

Conferência de Abertura: Os desafios da luta antifascista na atualidade.
Horário: 2025-10-20 19:30:00.0 às 2025-10-20 23:00:00.0
Local: |
Endereço:



Minicurso:

Mini Curso Fascismo e Antifascismo em Antonio Gramsci.
Horário: 2025-10-21 09:00:00.0 às 2025-10-21 12:00:00.0
Local: |
Endereço:


Oficina:

Oficina A luta antifascista na América Latina no entreguerras.
Horário: 2025-10-21 09:00:00.0 às 2025-10-21 12:00:00.0
Local: |
Endereço:


Comunicação Oral:

13:30 Sessões de Comunicações Acadêmicas.
Horário: 2025-10-21 13:30:00.0 às 2025-10-21 17:30:00.0
Local: |
Endereço:


Comunicação Oral:

Sessão História, Educação e neoliberalismo.
Horário: 2025-10-21 13:30:00.0 às 2025-10-21 17:30:00.0
Local: |
Endereço:


Mesa Redonda:

Mesa Redonda A educação sob ataque: neoliberalismo e neofascismo.
Horário: 2025-10-21 19:00:00.0 às 2025-10-21 23:00:00.0
Local: |
Endereço:



Minicurso:

(Curso não realizado).
Horário: 2025-10-22 09:00:00.0 às 2025-10-22 12:00:00.0
Local: |
Endereço:


Oficina:

Oficina Observatório dos Direitos Humanos e Observatório do Mundo Contemporâneo: intervenções em escolas e prisões.
Horário: 2025-10-22 09:00:00.0 às 2025-10-22 12:00:00.0
Local: |
Endereço:


Comunicação Oral:

13:30 Sessão de Comunicações Acadêmicas.
Horário: 2025-10-22 13:30:00.0 às 2025-10-22 17:30:00.0
Local: |
Endereço:


Lançamento:

Lançamento de Livros e Revistas.
Horário: 2025-10-22 18:30:00.0 às 2025-10-22 19:00:00.0
Local: |
Endereço:


Mesa Redonda:

Mesa Redonda Cartografias da Violência.
Horário: 2025-10-22 19:00:00.0 às 2025-10-22 23:00:00.0
Local: |
Endereço:



Comunicação Oral:

13:30 Sessão de Comunicações Acadêmicas.
Horário: 2025-10-23 13:30:00.0 às 2025-10-23 17:30:00.0
Local: |
Endereço:


Conferência de Encerramento:

Conferência de Encerramento A emergência do fascismo no Século XXI e os desafios para a luta antifascista na atualidade.
Horário: 2025-10-23 19:00:00.0 às 2025-10-23 23:00:00.0
Local: |
Endereço:


Mesa Redonda:

Mesa Redonda Crise econômica, austeridade fiscal e emergência dos neofascismos: Brasil, Argentina, América Central.
Horário: 2025-10-23 19:00:00.0 às 2025-10-23 22:00:00.0
Local: |
Endereço:


Inscrições

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Comissão do Evento



Comissão Organizadora

Gilberto Grassi Calil - Unioeste
Carla Luciana Souza da Silva - Unioeste
India Nara Smaha - Unioeste
Rafael Dione Trombeta - Unioeste
Ana Claudia Foss - Unioeste
Leomar Rippel - UNIR
Paulo José Koling - Unioeste
Ana Paula Santi - Unioeste
Jennifer Caroline Dias - Unioeste
Gabrielly Bononi Miranda - Unioeste
Valdir Sessi - DEPPEN
Rodrigo Paulo Volff de Jesus - Unioeste
Maristela Soldá - Unioeste
Carla Geovanna Bengozi Borsatto - Unioeste
Isabel Cristina Niedermayer - Unioeste
Luana Milani Pradela - Unioeste
Lucas Eduardo Ferreira - GP História e Poder
Maria Isadora Galvão Gaeski - Unioeste
Patrícia Sposito Mechi - UNILA
Gabriella Barrozo Garcia Rodrigues - Unioeste
Lucas Gonçalves - Unioeste
Léia Patek de Souza - Unieoste


Comissão de Monitoria

Helton Rodrigues de Araujo
Daniela Goncalves Dias
Guilherme Caetano Pezarim
Waydya Gomes Pezotti
Pedro Antonio Engel
Eduarda Aline Herrmann Korthais
Kelly Cadoná de Queiroz
Vanessa Mathieli Grutzmann Klein
Franciele Camila dos Santos de Miranda
Carlos Henrique Silva Trentin
Aline Rocha dos Santos Carvalho
Mikael Shiguenobu Matsutani
Fabricio Sanches Correa
Matheus Roberto Dapper
Hassan Salem Ismail
Lucas Eduardo Ferreira


Coordenação de Mesa de Apresentação de Trabalhos

Paulo José Koling
Lucas Eduardo Ferreira
Giulia Beatriz Schossler Plassmann
Ana Paula Santi
Luana Milani Pradela
Ederson Fernando Milan dos Santos
Rodrigo Paulo Volff de Jesus
Leomar Rippel
Jennifer Caroline Dias
Isabel Cristina Niedermayer
Valdir Sessi
Rafael Dione Trombeta
Carla Geovanna Bengozi Borsatto
India Nara Smaha


Coordenação da Mesa - Os desafios da luta antifascista na atualidade

Gilberto Grassi Calil


Coordenação de Mesa - A educação sob ataque: neoliberalismo e neofascismo

Carla Luciana Souza da Silva


Coordenação de Mesa - Cartografias da Violência

Patrícia Sposito Mechi


Coordenação da Mesa - Crise econômica, austeridade fiscal e emergência dos neofascismos: Brasil, Argentina, América Central

Paulo José Koling


Coordenação da Mesa - A emergência do fascismo no Século XXI e os desafios para a luta antifascista na atualidade

Leomar Rippel


Coordenação do Lançamento do Documentário Notas sobre um desterro

Jennifer Caroline Dias

Modelos para Trabalhos


comunicação Oral

Informações


Caderno de Resumos X Simpósio Estado e Poder
Anais do X Simpósio de Pesquisa estado e Poder

Anais do Evento

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CONTATO



E-mail para contato: 10spep2025@gmail.com

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